sexta-feira, 8 de março de 2013

Jornalistas vivem em cabo de guerra entre vida pessoal e profissional




Noites mal dormidas, dores de cabeça ou nas costas, tensão pré-menstrual, disfunções hormonais e irritabilidade. Se você é mulher, provavelmente já teve pelo menos um dos sintomas enumerados. Se você é jornalista, possivelmente convive com esses problemas de forma mais intensa. Pelo menos é o que defende o psicólogo Roberto Heloani. O estresse gerado pelo jornalismo não compromete apenas o estado físico e mental dos profissionais, mas também a saúde de seus parentes. No caso específico das mulheres, a relação com a família é a mais afetada, segundo o estudo.

Em outras profissões o quadro para as profissionais não é tão grave, segundo o especialista, devido aos salários melhores e à competição menos acirrada. “Além do salário ser baixo, as pessoas têm uma restrita possibilidade de ter boa qualidade de vida. O processo de competição muito forte entre as grandes empresas da área de comunicação tem colaborado para que essas cobranças afetem a saúde do profissional”.

O professor da Universidade de Campinas (Unicamp) e pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV) realizou pesquisas - publicadas em 2003, 2007 e 2012 - e constatou que “a situação, em vez de estabilizar ou melhorar, piorou”. Nos poucos momentos livres, os jornalistas estão irritadiços, deprimidos ou nervosos, por isso, a relação com os parentes também fica fragilizada, de acordo com o estudioso. “No que concerne às mulheres, a relação familiar fica muito mais prejudicada. Querendo ou não, a mulher tem um papel tradicional na família. Quando ela vê o filho com problemas, se sente responsável, se culpa e culpa a profissão”. 

Além do sentimento de culpabilidade, as mulheres jornalistas sofrem de outros problemas acarretados pela rotina. “O estresse patológico desencadeia doenças ginecológicas e, dependendo da faixa etária, até doenças hormonais. A disfunção hormonal afeta diretamente alguns fatores secundários, como cabelo ou pele. Além disso, existe uma fortíssima tendência de alteração da glândula tireóide, que é fundamental para o equilíbrio hormonal e tem grande influência no humor e no sistema imunológico”, explica Heloani.


Fonte: Comunique-se

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