Jornalista também é um trabalhador. Alguns podem se chocar, mas todo jornalista precisa se vestir, se alimentar, pagar a escola dos filhos e quitar todas as demais despesas assim como qualquer cidadão brasileiro. Para a revista Caros Amigos, ou melhor, para o diretor da revista Caros Amigos, Wagner Nabuco, diretor de uma das melhores publicações do país, jornalista não pode lutar por melhores condições de trabalho, e se isso é vetado ao jornalista, Wagner Nabuco considera que jornalistas não são trabalhadores.
Onze profissionais foram demitidos nesta segunda-feira. O motivo? Os profissionais estavam em greve desde o dia 8 de março requisitando melhorias na condições de trabalho e, para o diretor da revista, isso significou “quebra de confiança”, sendo motivo mais do que suficiente para mandar todos pra rua. A posição absurda da direção da revista já é inaceitável para qualquer tipo de empresa, mas quando falamos de uma empresa jornalística e que mantêm uma publicação “de esquerda”, realizar uma demissão em massa com base em uma greve é pitoresco demais para ser verdade.
Em nota na última sexta-feira, os profissionais comentaram o motivo da paralisação, que ganhou até uma página no Facebook com o título Redação da Caros Amigos em Greve. “Nós, integrantes da equipe de redação da revista Caros Amigos, responsáveis diretos pela publicação da edição mensal, o site Caros Amigos e as edições especiais e encartes da Editora Casa Amarela, denunciamos a crescente precarização das nossas condições de trabalho, seja pela ausência de registro na carteira profissional, o não recolhimento das contribuições do FGTS e do INSS, e, agora, o agravamento da situação pela ameaça concreta de corte da folha salarial em 50%, com a demissão de boa parte da equipe”.
Fonte: Blog Mídia8
Noites mal dormidas, dores de cabeça ou nas costas, tensão pré-menstrual, disfunções hormonais e irritabilidade. Se você é mulher, provavelmente já teve pelo menos um dos sintomas enumerados. Se você é jornalista, possivelmente convive com esses problemas de forma mais intensa. Pelo menos é o que defende o psicólogo Roberto Heloani. O estresse gerado pelo jornalismo não compromete apenas o estado físico e mental dos profissionais, mas também a saúde de seus parentes. No caso específico das mulheres, a relação com a família é a mais afetada, segundo o estudo.
Em outras profissões o quadro para as profissionais não é tão grave, segundo o especialista, devido aos salários melhores e à competição menos acirrada. “Além do salário ser baixo, as pessoas têm uma restrita possibilidade de ter boa qualidade de vida. O processo de competição muito forte entre as grandes empresas da área de comunicação tem colaborado para que essas cobranças afetem a saúde do profissional”.
O professor da Universidade de Campinas (Unicamp) e pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV) realizou pesquisas - publicadas em 2003, 2007 e 2012 - e constatou que “a situação, em vez de estabilizar ou melhorar, piorou”. Nos poucos momentos livres, os jornalistas estão irritadiços, deprimidos ou nervosos, por isso, a relação com os parentes também fica fragilizada, de acordo com o estudioso. “No que concerne às mulheres, a relação familiar fica muito mais prejudicada. Querendo ou não, a mulher tem um papel tradicional na família. Quando ela vê o filho com problemas, se sente responsável, se culpa e culpa a profissão”.
Além do sentimento de culpabilidade, as mulheres jornalistas sofrem de outros problemas acarretados pela rotina. “O estresse patológico desencadeia doenças ginecológicas e, dependendo da faixa etária, até doenças hormonais. A disfunção hormonal afeta diretamente alguns fatores secundários, como cabelo ou pele. Além disso, existe uma fortíssima tendência de alteração da glândula tireóide, que é fundamental para o equilíbrio hormonal e tem grande influência no humor e no sistema imunológico”, explica Heloani.
Fonte: Comunique-se