segunda-feira, 23 de abril de 2012

A grande entrevista

Oláá!
Segunda-feira, uma semana de blog no ar, e queremos AGRADECER as visitas, e PEDIR que vcs comentem e digam o que estão achando, por favor!
Vamos a um achado super legal!
Quem nunca passou pela ânsia de aguardar a resposta de uma entrevista de emprego? Se vc não passou, passará em breve!
Este texto mostra a expectativa de uma pessoa que passou e por e mais: mostra o que não fazer com o entrevistador!


NAQUELE dia, levantei às seis horas da manhã. O sono não foi dos melhores, mas não foi isso que me fez acordar cedo. Foi a entrevista de emprego.
Queria saber quem é o abençoado que marca a entrevista às 7h da manhã de uma segunda-feira. 

No banho, o sabonete caiu umas novecentas vezes. “Melhor partir para o shampoo... Melhor ainda, vou me apressar antes que atrase.”

Olhei para o relógio e vi que eram 6h 34. “Quase cinco minutos no ponto e o ônibus ainda não passou. Aposto os dedos da minha mão que está atrasado de propósito. O mundo está conspirando contra mim!”

No caminho para a entrevista não aconteceu nada demais. Talvez tenha puxado assunto com algum senhor, mas não me lembro de ter perguntado o nome dele. 

Os problemas começaram quando cheguei à sala de espera. Os outros candidatosencararam-me e intimidaram-me. Alguém mais corajoso teve a ousadia de me desejar boa sorte. “Boa sorte? Posso tirar o sustento da sua família, não me venha com formalidades.”

A entrevista teve início e não sabia se estava indo bem ou não. Ri umas trezentos e oitenta e três vezes, de nervoso. Tentei parecer simpático. “Ponto negativo ou positivo?” Todas as respostas que decorei antes de dormir não eram faladas e os argumentos pareciam simples demais. Surgiram algumas hipóteses: “Quando acabar a entrevista vou puxar outro assunto, talvez uma piadinha...hmmm...melhor não!” 

Na hora imaginei se o entrevistador não tinha ido com a minha cara... “Xii... melhor nem pensar... Outra conspiração!”

A pior sensação era pensar que outras pessoas passaram pela entrevista eimploraram pela vaga. Definitivamente, não sei pedir uma chance. Decorei frases e frases, e a entrevista acabou como todas as outras: tchau seco e boa sortede consolo. “Maldito boa sorte!”

- Assim que tivermos uma resposta nós ligaremos, fique tranqüilo!

Ficar tranquilo nunca esteve nos meus planos. “Falei que era ansioso, não ouviu?”
Quando o entrevistador estipula um prazo é ainda mais torturante:

- Essa vaga é urgente, para começarmos no início do mês. Qualquer resposta, seja positiva ou negativa, entraremos em contato na semana que vem.

Juro que acreditei na sinceridade do cara. Voltei para a casa e travei batalhas intermináveis com o tempo e o telefone. A cada toque um desastre, ou melhor, cada telefonema era um grito diferente:

- Se for pra mim, estou acordado! 
- Deixa que eu atendo!
- Quem é? É pra mim?

Não era para mim, não era da empresa e os outros telefonemas também não seriam. A única opção que restou foi ligar para RH da empresa:

- Alô?! Eu fiz uma entrevista há pouco tempo para uma vaga, meu nome é...
- A vaga ainda está em aberto, não se preocupe ligaremos assim que tivermos uma resposta.

“Obrigado por nada”

Passaram-se os dias e a angústia só aumentou. Sair de casa era arriscado, as compras no mercado eram obrigadas a esperar depois do horário de expediente.

Com o passar do tempo, tudo voltou ao normal. Seis meses procurando emprego e nada.“Culpa do governo”. 

Na televisão, a notícia de que a taxa de desemprego é a menor em dez anos. “Culpa da Igreja, sei lá. Conspiração contra mim!”. 

Nessas horas os amigos não podem fazer nada. O único pensamento que não saía da cabeça “Por que fizeram questão de mentir? Vaga aberta, até parece...” 

Então a culpa é da empresa. Se não for da empresa, é daquele profissional de RH que mentiu “Qual dos dois? O entrevistador ou a mocinha do telefone?”. Culpa dos dois e não se fala mais nisso.


Foram duas semanas de pessimismo nas veias, artérias, unha, pele... Era o pessimismo e a ansiedade reinando sobre o corpo e a alma. Até que alguém se apresentou como Juliana, do RH:

- Alô! Gostaria de saber se ainda tem interesse em trabalhar conosco?
Com a voz trêmula e pernas bambas, afirmei o básico:
- Tenho sim, claro!

Com a resposta, muitos pensamentos vieram simultaneamente:
 “Se eu tenho interesse... Claro que tenho! Pergunta mais idiota. Não foi você que esperou uma eternidade para conseguir um emprego, né?”

 “Conseguiu!! Não acredito!! Consegui!! É TETRA!!!!"

Agradeci a Ju (agora colega de trabalho) por telefone. Em seguida, uma lista de agradecimentos: a minha mãe, pai, amigos, irmãos. A alegria foi tanta que reservei um obrigado especial ao Cara Lá de Cima, por não ter me deixado fazer aquela piadinha ao final da entrevista.





Um comentário:

  1. HAHAHA minha nossa!
    Eu sofri junto lendo este texto! Ainda estou no ensino médio, mas já tenho certeza de que a profissão que pretendo seguir é jornalismo! E sinceramente? Eu amo acompanhar esses sites! Me ajudam muito. Não para decidir se é isso mesmo que eu quero, mas sim, para relembrar-me a certeza do que eu já sei, estou no caminho certo! Parabéns meninas!

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